Poeta Manoel de Barros ganha Prêmio em Portugal
S. João da Madeira, Aveiro, 1º out (Lusa) - O brasileiro Manoel de Barros, conhecido como "poeta do Pantanal", recebeu esta semana o Grande Prêmio Sophia de Mello Breyner Andresen pela coletânea "Compêndio para Uso dos Pássaros ? Poesia Reunida 1937-2004".Dotado de 10 mil euros, o prêmio foi criado em 2005 pela prefeitura de S. João da Madeira, que, em parceria com a Associação Portuguesa de Escritores (APE), escolhe, a cada dois anos, uma coletânea de poesia de um autor português ou de país de língua oficial portuguesa.Este ano, o júri selecionou a obra de Manoel de Barros em "reconhecimento do lugar raro deste autor brasileiro no contexto das literaturas em português".Para os professores Carlos Resende de Sousa e José Manuel Mendes, da APE, e para Rui Costa, vice-prefeito de S. João da Madeira, o poeta está situado "num espaço que o transcende" e sua escrita evidencia "percursos de criatividade, renovação e doação peculiaríssima ao patrimônio cultural dos povos na sua dimensão futurível". Manoel de Barros sucede António Ramos Rosa, que venceu o prêmio em 2005 com o livro "O Poeta na Rua - Antologia Portátil", e Fernando Echevarría, que, em 2007, foi agraciado graças à coletânea "Obra Inacabada".Nascido em 1916 no Beco da Marinha (MT), na margem do Rio Cuiabá, Manoel Wenceslau Leite de Barros é apontado por muitos como "o maior poeta do Pantanal".O escritor viveu em Corumbá (MS), no Rio de Janeiro e em Nova York antes de se fixar em Campo Grande (MS), onde mora atualmente.Descobriu a poesia aos 13 anos, no Colégio Marista São José (RJ), e, aos 19, escreveu seu primeiro poema. Nessa época, quase foi preso por apoiar o comunismo, mas escapou graças à admiração que um policial tinha por seus sonetos, com cujos originais o oficial ficou em troca da liberdade do jovem.O livro de estreia de Manoel de Barros, "Poemas concebidos sem pecado", foi lançado em 1937. A obra foi impressa artesanalmente por um grupo de amigos do autor e teve tiragem de 21 exemplares - 20 para circulação e um para o próprio escritor."Face Imóvel" foi lançado em 1942 e muitos anos se passaram sem que Manoel de Barros publicasse um novo verso, durante um período em que atuou principalmente como fazendeiro e advogado.Ele voltaria a escrever mais tarde, e entre os destaques de sua obra estão os livros "Compêndio para Uso dos Pássaros" e "Gramática Expositiva do Chão". Com o primeiro, o poeta ganhou, em 1960, o Prêmio Orlando Dantas, da Academia Brasileira de Letras (ABL). Já com o segundo recebeu, em 1966, o Prêmio Nacional de Poesias, e, três anos depois, o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal.Várias outras premiações se seguiriam, em uma carreira que também deu origem à Fundação Manoel de Barros, criada para promover e apoiar a cultura e para prestar assistência social nas áreas da pesquisa, ciência, tecnologia e arte.No site da Fundação, o poeta é descrito como "avesso à repetição de formas e ao uso de expressões surradas, ao lugar comum e ao chavão"; "mutilador da realidade e pesquisador de expressões e significados verbais"; e usuário de "temática regionalista, indo além do valor documental para fixar-se no mundo mágico das coisas banais retiradas do cotidiano". A mesma página explica: "A natureza é sua maior inspiração, o Pantanal é o da sua poesia". Outras fontes citam o próprio poeta para explicar sua obra: "Eu gozo com as palavras. Meu gozo é no fazer. É no fazer o verso que o poeta goza. Eu tenho isso: todo verso meu, eu gozei nele. Não escrevo muito porque eu demoro muito para gozar. Eu trabalho muito em cima das palavras, bolino muito as palavras, acaricio".Em Portugal, as obras de Manoel de Barros são editadas pela Quasi, que, com o livro "O Encantador de Palavras", abriu a coleção "Arranjos para Assobio".

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