sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Sucessão Estadual

Que venha o Zeca", diz André, conformado
Posso estar meio abestalhado pelo fato de ter sido recebido em audiência pelo governador André Puccinelli (foto), esta semana, mas confesso que saí de seu gabinete, depois de uma longa prosa, fazendo uma leitura diferente da sucessão estadual. Primeiro porque quando todo mundo diz que o homem anda uma fera, chutando até a sombra, por causa dos desacertos com o PT, Puccinelli surpreendeu-me, muito mais pela disposição de falar de política e de seu governo do que pela franqueza que o faz sair do sério de vez em sempre. E foi essa disposição de falar de política, com o peito aberto e de forma tão descontraída que me fez vê-lo mais aliviado diante da "irreversibilidade" da candidatura de Zeca do PT. "Que venha o Zeca, pau nele de novo", disse, numa alusão à eleição que ganhou do petista por apenas 411 votos, lá atrás, para a prefeitura de Campo Grande.
O governador está convencido de que Zeca não tem mais como recuar, depois de tudo o que andou falando nos últimos dias. Mas confessou que até aqui trabalhava com um cenário diferente. Não que ele assim preferisse, mas o que lhe parecia mais racional: Egon Krakhecke candidato a governador, Zeca e Delcídio candidatos ao Senado. Egon seria, então, o tal candidato laranja? Laranja uma ova! André não disse isso, mas pode ter pensado algo semelhante. E este, talvez, mesmo que inconscientemente, pode ter sido o motivo de tanta inquietação de quem não dá um pio sem ler pesquisas de intenção de votos e as interpreta como ninguém. Imagine uma chapa puro-sangue petista como esta, abençoada por Lula da Silva! Sim, com Egon KKK, que nas eleições passadas, como candidato a senador, teve mais votos que Delcídio Amaral, o candidato a governador do partido. E, lembrando, Egon sendo de Dourados, cidade-polo de uma região que almeja tanto ter um governador, com dois candidatos pesos-pesado a senador.
Mesmo sendo este um assunto "resolvido", André dá mostras de que ainda tem muitas pedras para mexer no tabuleiro da sucessão estadual. Ontem, por exemplo, um take em sua propaganda de TV deve ter deixado muita gente com a pulga atrás da orelha: ele e Delcídio do Amaral em pose de campanha, de mãos dadas, entrelaçadas e levantadas, durante a inauguração de uma ponte, no Pantanal. Hoje, no Correio do Estado, o mesmo Delcídio embaralhando o jogo novamente, lançando dúvidas sobre a candidatura do companheiro Zeca do PT. Outra carta na manga seria a volta do filho pródigo Dagoberto Nogueira. Apesar de tudo o que tem dito por aí, há quem garanta que o pupilo de João Leite Schimidt não vê a hora de ser convocado para uma conversa de pé-de-orelha naquela mesma sala donde esta semana tirei tão estapafúrdias conclusões. (Walfrido Silva)

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